Seja bem-vindo(a) - 15 de março de 2026

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Taise Maximo

Há mais de 25 anos convivo com enxaqueca crônica. Sempre tive remédios em casa para amenizar aquela dor que começa devagar e vai aumentando, deixando a visão sensível à luz, ao som, a qualquer barulho ou conversa mais alta. Até chegar ao ponto de só o soro na veia aliviar. Quem sofre com enxaqueca sabe. Ficar muito tempo sem comer ataca. Período menstrual ataca. Vento ataca. Fumaça ataca. Eu até brincava que sabia quando era Dia de Finados, porque sempre ventava — eu ia rapidinho rezar e voltava antes que a dor piorasse. Quase perdi o emprego dos meus sonhos por causa disso. No primeiro dia de trabalho, nervosa e querendo aprender tudo, fiquei sem comer. Passei mal, fui levada à UPA e o médico já me colocou no soro. Voltei para casa com orientação de ficar em um quarto escuro. Atestado no primeiro dia… que vergonha. Mas, graças a Deus, entenderam. E permaneci ali por muitos anos.

Em 2025, no início da Quaresma, combinei com meu esposo que iríamos a todas as missas de domingo até a Páscoa. Assim fizemos desde a Quarta-feira de Cinzas. No quarto domingo, ao chegar à Paróquia Santo Agostinho, senti a enxaqueca começando. Eu sabia que iria piorar. Pensei em ir embora. Mas queria tanto cumprir meu propósito… Sentada no banco, olhei para a imagem de Jesus e pedi, em pensamento: “Jesus, me ajuda a ficar na missa hoje? É só um pouquinho. Depois eu tomo remédio.” O padre Eduardo já iniciava a celebração. Fechei os olhos. Quando abri… a dor começou a diminuir. Instantaneamente. Olhei novamente para Jesus e agradeci: “Obrigada, Jesus. Obrigada, obrigada, obrigada.” Fiquei até o final da missa. Saindo, minha filha mandou mensagem pedindo açaí. Fui comprar. No caminho pensei: “Ainda estou sem dor… Que bom, Jesus me deu mais algumas horinhas.” Mas as horinhas viraram dias. Veio o período menstrual — nada de enxaqueca. Veio vento — nada. E eu comentei com meu marido. Contei o que tinha acontecido na igreja. Ele me disse: “Deus não faz obra pela metade.” Naquele momento, entendi. Não era só para aquela missa. Eu tinha sido curada. Me ajoelhei em casa e agradeci muitas vezes. E agradeci também com atitudes: caridade, doações, ajuda a quem precisava. Eu sempre orava pelos outros. Pela saúde dos familiares, pelos amigos. Mas nunca tinha pedido por mim. Aquela dor já era “normal” para mim. Hoje eu sei: nunca estamos sozinhos. Não precisamos apenas “dar um jeito”. Precisamos pedir. Jesus sempre esteve ali. Basta pedir com o coração aberto. “Me ajuda, Jesus.” E Ele ouve. Acredite.